Primeira Aurora
Bela é a purpúrea aurora em queda.
Meus olhos cerram em alegria e vejo,
Calada quimera que me segreda
Augúrios áureos de febril desejo.
Revolvem-se ao fim as escuras vagas
Embebedo-me em tuas fulvas águas,
Oceano que meu navio naufragas
Em ondas de euforias e de mágoas
Veja! a gota ao chão já se despedaça!
As asas, minha alma livre estende,
E o além sublime com alvura enlaça:
Com gentil graça, estes ferros fende.
Cintila ao ar o cálice quebrado.
Devoram os ventos a luz fulgente
Que parte desta terra devastada,
E ao Letes imerge em sua corrente.
terça-feira, 15 de maio de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
The Wake
The Wake
Fear the silent bell. I’ve grown pale and weak
From its voiceless swell that tolls in my mind
Calling to wake, calling to wake. It’s bleak
To walk by a motionless ocean and find
No kind wind to gently wave its way unheard.
I’ve grown tired of thinking and disbelief.
The bell hasn’t tolled , and neither a word
Have I told him. But, although our talk brief
Can be, much I’ve learned to fear to see
And much I’ve feared seeing what I’ve seen
There’s nothing in the world I wish to be.
There’s no beauty in being what I’ve been.
Perhaps to be a bird, who sings at night,
When Death is asleep, and is an uncertain
Dream for those woken by his unseen flight,
Or perhaps the wind, to wave the curtain
Of the sea, to blow the leaves away,
To once more toll the steady bell to call
My soul, and to lead it on its own way
To wake, to wake: it’s my own funeral.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Imortalidade
Imortalidade
E dolorosamente, sinto o fino pó
correr entre meus dedos
E desesperadamente apenas
observo, envolto em medos
Imóvel, impotente – prepotente
estátua de areia
Não de rocha, eterna, mas frágil
e passageira
Ergo-me solitário em uma terra devastada
Pelo vento incessante que em sussurros
mudos brada
Os desígnios desconhecidos do céu
e do mar
Distantes que a ninguém é
permitido tocar
Quisera eu meu espírito de pedra
fosse feito
E a brisa suave não rasgasse meu
peito
Mas a rocha é destinada a deuses
e estórias
Sem fim, sem formas – imponentes
memórias
Sei que quando me for soprado
este último grão
Tudo que fui estará esquecido,
espalhado ao chão
Sei que temo que tornarei a ser
jamais
Pois temo saber que o que agora
existe
Não existe mais
Eu fui por inferno, cantei com esmero
E mesmo assim me neguei
Eu fui eterno, meu anjo interno
E ainda demônio me tornei
Eu vi a tempestade andando
No alto véu que cortou a noite
Chorei sozinho, perdi meu caminho
Casei com a dor e beijei o açoite
E me desculpe, querido Drummond
Mas rima é sim solução
Se não para os sonhos ou para os amores
Consola quem dança com a solidão
Se ainda dançasse com mil virgens
Ainda seria um salafrário
Se ainda deitasse com mil mulheres
Ainda seria um amante solitário
Eu ainda tenho a mania besta
de me importar com todo mundo
Todos toscos aleijados, monstros amparados
E eu sem as duas pernas praguejando
E eu, esse arauto errante
Nem herói, muito menos amante
Fazendo cara feia, olhando no
espelho, mesmo não sabendo
ou talvez, fingindo não saber
Os humildes viam as pernas
brancas, pretas e amarelas
Já eu, caro mestre, vi as caras
Feias, horríveis e horripilantes
Falsas, cansadas ou mentirosas
Eu cansei de rimas, ou me minto
Penso que meto medo, mas talvez
seja apenas feio, ou vejo essas
coisas aonde não devia
Eu tento sempre chegar ao novo
E sempre vou dormir sonhando que sim
Talvez sim, talvez não seja possível, ou
talvez penso em coisas que não devia
FALA
Se eu falo, ele fala
Se ele fala, eu já falei?
Há nessa fala mais fala
Se aquilo eu já sei?
Ele fala o que eu falo
O que eu falo, é um conceito
E “nóis fala”, não?
Aí é preconceito
Todo mundo sabe que fala
Fala mesmo, fala sem ver
Eu vivo pra falar
E falo pra viver
Vai falando, vai
Faz teu mundo, vai falando
É sério, vai gostar
E teu mundo vai criando
Se invento, é novo ou velho?
Não vem, que não é tão normal
O que é novo, o que é invenção
Se nada é exceção e nada é formal?
Fala direito, moleque!
Eu falo errado não
Corrija essa fala, garoto
Isso é coisa de velho, “mermão”
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
[Untitled]
Por que perderam-se? Porque ofuscaram-se?
As estrelas não mais meus passos guiam.
Da escuridão dos meus olhos partiram
Na noite da minha alma ocultaram-se
Quando fatigado, meus olhos cerro,
E ali caminho, estrangeiro perdido,
Fadado ao exílio de um mundo ruído:
No horizonte deste espírito, erro
Já não são estas as luzes de outrora.
Que olhar contemplará a noite vazia?
Por que ainda anseio por um novo dia
Se sei que não mais verei outra aurora?
As estrelas não mais meus passos guiam.
Da escuridão dos meus olhos partiram
Na noite da minha alma ocultaram-se
Quando fatigado, meus olhos cerro,
E ali caminho, estrangeiro perdido,
Fadado ao exílio de um mundo ruído:
No horizonte deste espírito, erro
Já não são estas as luzes de outrora.
Que olhar contemplará a noite vazia?
Por que ainda anseio por um novo dia
Se sei que não mais verei outra aurora?
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