terça-feira, 5 de abril de 2011

Beleza


Escorre, compensa
Revive a sentença

Engole, feria
Não me usaria

Adora, seja minha esposa
Não pode, comi uma mariposa

Relata, o amargo
Sorri desastrado

Emana, sem fim
Por outro ou por mim

É feio ou agouro
É puro, é tesouro

Não mente, não trai
E o tempo se vai

Se anda, ou caminha
Nunca é sozinha

Se ama ou mata
Com riso ou sensata

É riso, é fosco
Dor ou enrosco

É tudo, de pronte
E nada além da fronte

É forte, eu sei-lo
É vivo no espelho

É graça, é arte
No todo e na parte

É viva, é lua
Brilha e é tua

The Lies

Poema composto na mesma estética de Edgar Allan Poe.


The Lies
Straight ahead, the house burns
As burning dreams, of thousand suns
If it’s real or art, either virulent
Shines apart, quotes what we meant
Answers we ask, doubts we look for
Spreads warm, until we look for
The seasons we pray, for evermore

Laughing, the demon chooses the pain
Cruelty, sarcasm, our choice the main
Under the moon when pray, we still cry
Under the roof when say, we still die
A miracle, a saint, we look for
A god or faith, we look for
Choosing the dark, or even more

Bleeding, knocking on darkness ears
The dawn, we curse through years
Still punching the wall, quoting screams
Until it dies, mistakes we call dreams
Was wrong, but still looks for
You died, but still look for
Still will do, for evermore

Crashed, your precious care
That you own, desire, you dare
Crashed, in thousands pieces of sand
Composed, tight in your hand
But still blind, for it you look for
Sadly the saint being, you still look for
Won’t stop, nevermore

Raging the fires, we pray
The curses, the lines, we say
The lies, the deaths, we see
But truth, and life, won’t stop to be
Because a miracle, we still look for
For invisible flowers, we still look for
And shall smile, nevermore



But the rainbow out the night still shines
All the music, poems, all the kinds
Will through the ages, smile once more
Touching wises, their mind and core
For the reason, we still look for
Until far more lies, you still look for
And shall find out, nevermore

terça-feira, 1 de março de 2011

Ausência Dos Teus Olhos

Já estava com saudade do teu caminhar,
de receber a presença dos teus movimentos, das plumas suaves que te rodeiam o sol.

Já sem ânimo ou qualquer poço pequeno a reguardar, rever o que me fascina pôs-me um sorriso ao agradar,
mesmo sem sol ou céu limpo esteja o campo, luz suficiente essa flor pôs-se a produzir, e
 sem pensar já reforcei qualquer fúria e qualquer calma, só para me ver nesse campo apreciando essa flor.

Pois a ausência dos teus olhos, fora de tão doída aos verbetes da minha alma, tanto quanto é permanecer mudo, quando a música me extende a mão,
e nada além de música e poesia eu ouvi nesse meu silêncio, o mesmo silêncio que os pobres e hipócritas rigorjeteiam,
o mesmo silêncio que evita guerras, e acaricia o coração dos enfurecidos.

Jamais outrora era assim o peso deste silêncio, como quando a música extendeu seu braço,
quando os campos afloraram, a flor brilhou de novo, sem céu ou sol.

Porque eu sei, que além de todo esse céu e todo esse sol, meus olhos puderam tocar o além do além, da beleza e da poesia,
como quando, naquele silêncio musical, eu me livrei da ausência dos teus olhos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

The Soul and the Sea

The Soul and the Sea
A Alma e o Mar

In my dreams I still see what has long passed by
Em meus sonhos eu ainda vejo o que a muito tempo passou
Visions of a grey sea under a greyer sky
Visões de um mar cinza sob um céu mais cinzento
And a desert shore there lonely lying
E uma costa deserta lá jazendo solitária
Grey as the soul there lonely crying
Cinza como a alma lá chorando solitária

There I stood gazing at that melancholic vision
Lá eu permaneci contemplando aquela visão melancólica
Where nor heaven or earth could find division
Onde nem os céus ou a terra encontravam divisão
No dim light descending could find rest
Nenhuma luz turva descendo encontrava descanso
And shivering winds blew from the far west
E ventos arrepiantes sopravam do distante oeste

Winds, waves and clouds above
Ventos, ondas e nuvens acima

Received no guest, nor man nor dove
Não recebiam convidado, nem homem nem pombo
And the only one there wandering was me
E o único lá vagando era eu
Lonely as the sky, lonely as the sea
Solitário como o céu, solitário como o mar

Neither was there any ship or sail
Nem havia lá algum barco ou veleiro

Nor trace in that sand, white and pale
Nem rastro na areia, branca e pálida
No hope was seen in that pitiless waves
Nenhuma esperança era vista naquelas ondas impiedosas
Where other souls as mine had found their graves
Onde outras almas como a minha encontraram seus túmulos

Everyone had gone to a far happier land
Todos haviam ido para terras mais felizes
Where shines the sun as shiny as the sand
Onde brilha o sol tão brilhante como a areia
And there stood nothing, nothing but me
E lá não permaneceu nada, nada senão eu

Me, the shore, the sky and the sea
Eu, a costa, o céu e o mar

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Luzes e Música

Perdido no vazio da minha voz, deitado, eu observava o interior de meus olhos. Já era noite, ao menos eu achava, e a lua já tentava bisbilhotar os escombros dos meus recantos.
                Um suspiro. Estava começando a pensar novamente, e não sabia bem que tempo era o tempo de minha mente, ou mesmo o tempo de meus olhos. Haviam figuras, luzes e janelas, todas circulando, dançando, vibrando. Eu vi anjos, demônios e pássaros se abraçando, voando e rindo do meu nome, de mim a quem chamaram: recanto.
                No meu perdido santuário, cheirando a suor e sangue quente, as ondas da poeira jogada no bater das asas, cobriam as paredes e qualquer pedregulho. Qualquer sobra de existência.
                Eu vi de novo. Os anjos e os demônios, mas até que ponto sabemos a diferença entre um anjo e um demônio? Eu ouvi os suspiros, os gritos, os acordes. Lembrei da loucura e do tempo, sanidade e vida. Eu era hoje, nunca e sempre.
                Todas aquelas músicas, todos aqueles mestres de padecer e reviver. Uma orquestra particular em meu próprio santuário, o qual não me atrevi de chamar outro nome, enquanto a chuva gritava em meus ouvidos. Era de noite, ao menos eu acho, mesmo que a lua não fosse a mesma lua, e a chuva, não a mesma que outrora fez-me lembrar da vitória.
                As paredes, castigadas. Castigadas de unhas, gritos e trovões. O chão, ainda macio e confortante como plumas jovens. Meu santuário, que deu-me o meu nome, ainda cheirando do mesmo jeito, ainda cantando do mesmo jeito, mesmo que diferente.
                Lembrei de cavaleiros majestosos e sem nobreza. Lembrei das pérolas, que de tão jovens, ainda estavam sujas de lodo. Lembrei de tempos onde a dor era outra, o riso era outro, o ódio, a agonia, tudo igual, e totalmente diferente.
                Lembrei de quando me disse o meu nome, esse nome que mudou tanto, e que ainda carrego firme comigo. Revivi minhas falsas verdades, meus poucos sonhos, e minhas muitas fantasias. Reanimei amores e ódios, os quais ainda não sei definir. Eu era hoje, nunca e sempre.
                Preso, neste santuário que me convidou a dançar eternamente, e me vi no calento das minhas plumas, eu me perdi no vazio do tempo, espaço e pensamento. Com os braços já fadigados, cobertos do sangue quente que amortecia meus sentidos, voltei a repousar.
                Os olhos se fecham, a mente se apaga.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Réquiem

Réquiem

À meia-noite o badalar de sinos pranteia aquela que partiu e canta em coro com o murmúrio e o lamento do sopro do vento que entrecorta cada gota de chuva que cai em um sussurrar sibilante e a tempestade que urge em agonia veste de luto a natureza.
À meia-noite, apenas lágrimas e tristeza
Olhando ao meu redor nada vejo que acalme este sentimento de ódio e solidão, apenas o vazio e escuridão do negro da noite onde contemplo vagamente a imagem de seu filho vagando embalado pelo canto das almas perdidas que sussurram em desespero e clamo para que em breve ele me conceda a visita que cedeu à minha amada em sua frieza.
A Morte vaga pelo o vento e a incerteza
Seu toque, cruel ou benevolente? Ainda sinto sua presença nas sombras à minha volta, nas horas solitárias, quando ouço o clamor horripilante trazido pelo vento. É sua voz que ouço? Devo temer ou me alegrar? É sua voz que ouço: “Não deixe que tua alma esmaeças.”
Não temas, ainda que não a conheças
Morte e Sono, filhos da Noite, senhores do Esquecimento. Que é a morte se não o sono da alma? Que é o sono se não a morte da consciência? Que é a alma se não a consciência? Se o pecado do homem é o conhecimento, o esquecimento é sua salvação. A morte. O oblívio. Bebas do gentil nepente e esqueças. Inebrie-se. Esqueças.
Não temas o fim que a ti pareças
O barqueiro já está pronto para a travessia. A sineta toca convocando os passageiros a embarcarem. O sino toca convocando os espíritos a se congregarem. O que haverá além da costa? Não há resposta que não esteja esquecida.
Pois a única a certeza da alma perdida
Mas se hoje choro é porque uma vez sorri e cada lembrança que tenho de ti me acalma e me consola, cada memória sua de cada palavra dita alegra minha alma amargurada e entristecida.
É que apenas há morte onde houve vida
E os sinos tocam à meia-noite.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sentir Sozinho

Poema inspirado por uma frase de Edgar Allan Poe.


Sentir Sozinho

Doce engano esse perder, que não para de gemer
Silêncio calmo, arder calmo por entre qualquer chorar
Mesmo que pra amar, algo que não vai te querer
Com ou sem rimar, doce chama sem se apagar


Ritmando, qualquer cantar louco, fogo abraçando
Mesmo que muito pouco, ou até quase nada
Que sente e cala, e te olha fixo encarando
Acalentando, morrendo, como um conto de fada


E beber da morte, perder, sofrer, rasgar a sorte
Ah! Gentil sofrer, que me corta ou acalenta
Sem que entenda, ser baixo, fraco ou forte
Ser bom ou ter sorte, tudo aquilo que se lamenta



Hoje que sigo, e sempre, sempre me digo
Sem razão de amor ou doçura menor
Tudo ao redor, tudo aquilo que sigo
Onde fico, conspira assim sem pormenor


É assim, música breve, linda e sem fim
Sem canção ou porventura, compôr
Onde se for, cantando tão simples assim
Que para mim, não passa de um doce ardor


Afeto, tão estragado e puro dialeto
Se afeto, ou se sigo sem nenhum caminho
Ou carinho, sempre me vi a olhar quieto
Esse afeto, se senti, foi sempre sozinho