segunda-feira, 18 de março de 2013

Finnegans Wake

Tradução da primeira página (página 3, na verdade) de Finnegans Wake, último "romance" do escritor irlandês James Joyce, tida como a obra mais incompreensível da literatura mundial.

   "riocurso, passado  Eva e Adawn, da curvatura da costa à borda da baía, trás-nos port um vícius comodo de recirculação de volga a Howth, o Castelo e Envoltórios.
    Sir Tristram, violator d’amores, evindalém do curto mar, hadia passangora rechegado da Armorica do Norte nesse lado do peschoso ístimo da Europa Menor para reilutar sua penisolada guerra: nem hadia rochas de tãopessoar pela corrente do Óconee exagerado a sinh mesmas para os gargiosos do Cundado de Laurens enquanto elas iam doblindo seu mumpero todo o tempo: nem mavoz longígnea subrou mishe mishe a tauftauf tuéspeatrick: não ainda, apesar de cerdo apphós, hadia um cabralha traiceirado um velho ceigo isaque: não ainda, apesar de turdo ser justo in vanessia, eram irmãs sósies terriveumente irothas com geumois nathandjoe. Uma pipa estrouge do malte do pai tivesse Jhem ou Shen brumentado sobre a arcoluz e rubriende ao arkho-osísis seria visto anelante sobre a aquaface.
  A queda (bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuonnth-
unntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk!) dum autrorua muro mansião compainheiro é recondada cedo na cama e mais tarde na vida através de todo o cancioneiro cristão. A grande queda domuralho gerou em tão curto prazo a quidram de Finnegan, que era-se um homem solido, cujo humpetocabeço de símeosmo pruntamente um unquerito ao oeste manda em demanda ao seus tumbtytumtões: e seu cimatornapiquepontoespaço está nocouteiro no parque onde laranjas foram colocadas para jazer sobre a gramo deusdes que diablens primeiro amaram livvy."

sábado, 16 de março de 2013

Cotidiano



Houve um tempo de glória, bem me lembro.
Bem distante no tempo, se bem me lembro.
Como ruí tão depressa, eu não lembro.
Dias aqueles de tardes de setembro.


Eram retumbantes os gritos do amanhecer,
Curtos e precisos, meus olhos iam acompanhar.
Banquetes de ironias, overdose satírica, gargalhar,
Razões para jogar a voz fora e depois esquecer.


Não eram dias de luta, eram dias de provocar,
E se saísse do tom, pouco importava, achava eu,
“Só parar para tentar, o Sol de novo vai voltar”.
Eles riam todos, mas eu sabia o que era meu.



E o que permitiu esse gozo sair de mim?
Terá sido uma piada sem graça de Deus?
Terá sido natural os tais pesadelos meus?
Poderei esperar que como noite, terá fim?


Terá um fim, eu sei e será muito breve.
Cansei de esperar que enfim caia neve
Nessa fornalha de tragédias, podridão,
E dor, parado sozinho aqui neste porão.


Tão simples quanto rápido, serei breve.
Antes que a sinfonia de vez se encerre.
Um puxão e o Sol voltará, quero que quebre
Esse crepúsculo, vou gritar e me sentir leve.

domingo, 3 de março de 2013

Amanhã


- Olha como o céu tá bonito hoje. Preto com vermelho.

Sentou-se na grama e sentiu a brisa,
Lembrou-se de ontem, que triste.
O vórtice dos olhos se vê vazio de novo,
A mente assovia, não mais existe.

Som do vento, som de vento, vem cá.
Vem brincar comigo, doce querido,
Tá tudo tão alegre, tão bonito,
Como se nada tivesse existido

Ele não quer mais ficar aqui,
Ele quer se desprender do chão.
Querida árvore, me ajude,
Só dessa vez me estenda a mão.

Som do vento, som do vento, adeus.
Vou ficando calado, só com teu sussurro,
Tá tudo tão errado, tão estranho,
Devagarinho ficando mais, mais escuro.

-É. Hoje  o céu tá bonito. Queria poder vê-lo amanhã

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Poeminha dos Pessoa


“Tua arte é tão bela, tão maravilhosa
Que pelo vento, eternamente ressoa.
Tua mente tão vasta, tão geniosa
Que não cabe em um só Pessoa.”




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Lágrimas sob o Por Do Sol


Ela apoiou o rosto no meu, levemente
E me olhou nos olhos, dizendo-me
E explicando-me, calmamente
Os versos de uma canção deprimente.

Toquei sua nuca, o cabelo macio
E sedoso por entre meus dedos,
E a poesia me ardendo profundamente
Nos lábios e no meu peito ardente.

Beijei-a de leve, tudo ia devagar
Como se o tempo, pudesse esperar.
A nossa volta o mundo girava
E nossas bocas, somente dançavam.

Diante de nós o céu laranja, imortal
Figura celeste das nossas imperfeições.
A cidade, amolecida e decrépita gemia
E nossas almas, ignoravam, apenas.

Dias seguiram e o agouro chegou.
No mesmo banco eu de novo choro,
Dessa vez sem rosto de apoio, solitário
Meu choro, sem lábio de cura, sem nada.

O rosto dela que foi embora me chamava,
Gritava por socorro, queria meu abraço.
Mal sabia minha pobre alma desfalecida
Que havia sido enganada pela saudade.

O vento ainda ressoa, mesmo que mudo agora,
E o céu laranja ainda reina, mesmo que pálido,
E as palavras dela ainda vagam minha memória.
“Você está errado, meu amor, eu vou embora”.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Definição, pobre definição



O tesão é um hálito ácido e quente
Que percorre as narinas e coça a garganta,
Descendo pelo peito te queimando os lábios.

Os lábios são muralhas que precisam cair,
Tornar-se úmidos e macios para poder
Subitamente, mas muito quietamente,
Cada tendão vivo se arrepiar.

O arrepio é uma canção, algo rápido
Que nos faz cantar bagunças e repúdios.
É talvez uma pureza áspera, encardida,
De alguém que pede por um contato.
Bem sei, contudo, que é uma canção.

A canção é, antes de tudo, poesia.
Todos cantam quando entregues,
Quando sujos, cansados e suados.
Queremos sangue, queremos gritar,
Enquanto gozamos alegres, e pouco
Ligamos para o que é amor.

O amor é algo oculto.
Oculto como poesia, como arte.
O amor é tudo, somos nós
Na nossa plenitude.
O amor é um hálito ácido e quente
Que percorre as narinas e coça a garganta
Descendo pelo peito te queimando os lábios.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Infortúnio Solitário

"Poema que abre uma obra que comecei nomeada "Saga dos Vermes". Espero que gostem."


A neblina que é solitária adora me visitar,
Mesmo quando estou parado esperando um sol.

As incontáveis vezes que dormi faminto
Ou encharcado de saudades e desejos
Nunca compensaram os dias de companhia.
Não sei bem de quem, algo muito superficial.

A cerveja parece sempre mais quente, o cigarro mais vagabundo,
A grama menos verde, com perdão do clichê horrível.
Shakespeare parece piadas ruins de boteco
E Vivaldi parece rangido de giz no quadro negro
Ou um gato torturado com lâminas mal afiadas.

Ás vezes dá uma vontade de esquecer tudo
De aprender tudo de novo, como a ingênua criança
Que ainda não vê o câncer do mundo.

Todo dia aprendo a mesma coisa, a mesma pauta, a mesma lição
Que esqueço todo dia quando ironicamente esboço um sorriso.
A vontade de construir um reino com as próprias mãos
E a lição de não se erguer um mero tijolo, do mais leve.

Maior inimigo é o espelho, tanto o que mente quanto o que revela.
O gosto de amargo no final da vida é sempre o mesmo.

Sempre acabo indo dormir cedo
Depois que a televisão enjoa de mim.

Já ouvi que uns negaram a melancolia, talvez estejam certos,
Ou estão olhando o espelho errado, como eu
Quando gastei muito tempo enxergando anjos brincando nas campinas.

Para terminar essa putrefação tanto de espírito quanto de arte
Deixe-me, por favor, só essa vez, rimar.
Dessa lama, o nobre e o verme, qualquer um faz parte
E eu como verme, aprendi onde é meu lugar.