O sentimento de que tua mão luta para alcançar o fim.
E devagar vai morrendo, lentamente padecendo o seu paraíso de carmim.
E o ritmo louco, bombando e badalando o suspiro.
Devagar se aquietando, ameaçando o outrora enfurecido.
Por que não diz com todas as letras o que pretende?
Talvez devesse me ensinar esse jeito de amar, que só um anjo entende.
Não me deixe sozinho na labuta de pensar. Na tortura de uma cabeça, apoiada junto à mesa, da dor a descansar.
Entorpece-me cada mal entendido que plantas, como teu passo me encantas e teus mistérios me põem a pensar.
Tamanha é a ingratidão que tu regas sobre minha cabeça, uma ideia que nem mesmo o mínimo transpareça.
Essa insônia que alimento pensando no que poderia ser. Ajuda a ler as palavras que o céu em trovões tenta me dizer.
E com uma resposta cruelmente confusa, tu me põe a escrever. A criar esta arte fraca, no meu dolorido oficio de sofrer.
Talvez você nunca entenda o poder presente no teu agir, de esclarecer o mais escuro céu ou de fazer qualquer alegria sumir.
Se sou mesmo um pináculo de saberes como tu apresenta, diga logo aquilo que todo poeta sonha,com qual toda dor se isenta.
Mas bem sei que quando ri não é comigo, que quando goza não sou eu teu amante, mas meu verso galopante, não mente nem que eu queira.
No final tu me provas de novo quão cruel é a verdade, quão crua e seca se faz a realidade.
Mesmo chorando por dentro você ri e me espanta teu poder de fingir. Ainda se culpará pelas dores que não evitou, mas verá que a arte que iniciaste já se cessou.
Com o corpo pairante sobre o véu das estrelas tu acordará e a lágrima, no delicado rosto, escorrerá e teu arrependimento tão breve não cessará. Já estará dormente teu poeta admirador e nada restará, para ambos, além de saudade e muita dor.
domingo, 6 de janeiro de 2013
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Conheci-te em um tempo de mudanças,
Onde teu sorriso era mais belo
E tua lágrima mais afiada.
Tu conheceste o amante que revelei
E mesmo apaixonada recusou,
Pois a tua prisão de ilusões era forte,
Até demais para te deixar pensar.
Você amou o quadro que pintei em teus olhos
E se derreteu nos confins que te abalei.
Teu corpo encontrou paz em meus braços,
Teus ouvidos em minha poesia, teu dançar em minha música
E tua boca no imaginar do meu beijo,
Mas tu optou pelo seguro e se deixou perder,
Sufocou teu desejo em beijos podres
E matou o sentimento em abraços falsos
Mas te desafio a matar teu amor.
Nunca poderá sufocar a verdade.
Porque nos confins da tua alma irão residir os versos que não poderá negar,
Mesmo quando viver sobre o amor de outro.
Beijar uma boca bárbara e sem paixão,
Tu saberás que minha boca dominou teus sentidos.
Você irá deitar-se sob outro corpo,
Arranhará outra carne e gritará por outro nome.
Mas minha mão repousará em teu rosto
E saberá que em teus sonhos eu sou teu íntimo da noite.
Você agarrará outros lábios e seus dedos se cruzarão com outros dedos no espaço,
Mas saberá que meu rosto e minha poesia que te farão contar e pintar o quadro do mundo.
E no final teu respirar ira ser mais intenso e minha imagem estará lá, enquanto te entregas aos pesares que te calam.
Enquanto não parar de amar, ouvirá meu nome sussurrando baixinho o teu nome delicado.
E quando finalmente sorrir de volta, o quadro das memórias irá sumir, em um corpo sem forma
Onde teu sorriso era mais belo
E tua lágrima mais afiada.
Tu conheceste o amante que revelei
E mesmo apaixonada recusou,
Pois a tua prisão de ilusões era forte,
Até demais para te deixar pensar.
Você amou o quadro que pintei em teus olhos
E se derreteu nos confins que te abalei.
Teu corpo encontrou paz em meus braços,
Teus ouvidos em minha poesia, teu dançar em minha música
E tua boca no imaginar do meu beijo,
Mas tu optou pelo seguro e se deixou perder,
Sufocou teu desejo em beijos podres
E matou o sentimento em abraços falsos
Mas te desafio a matar teu amor.
Nunca poderá sufocar a verdade.
Porque nos confins da tua alma irão residir os versos que não poderá negar,
Mesmo quando viver sobre o amor de outro.
Beijar uma boca bárbara e sem paixão,
Tu saberás que minha boca dominou teus sentidos.
Você irá deitar-se sob outro corpo,
Arranhará outra carne e gritará por outro nome.
Mas minha mão repousará em teu rosto
E saberá que em teus sonhos eu sou teu íntimo da noite.
Você agarrará outros lábios e seus dedos se cruzarão com outros dedos no espaço,
Mas saberá que meu rosto e minha poesia que te farão contar e pintar o quadro do mundo.
E no final teu respirar ira ser mais intenso e minha imagem estará lá, enquanto te entregas aos pesares que te calam.
Enquanto não parar de amar, ouvirá meu nome sussurrando baixinho o teu nome delicado.
E quando finalmente sorrir de volta, o quadro das memórias irá sumir, em um corpo sem forma
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
À Poesia Contemporânea
Por que renunciarei qualquer caminho
(Banhar-se ao sol no despertar da luz
Ou afogar-se à lua e sua cruz,)
Se embebedo-me do mesmo vinho?
Por que desmembrarei em toda a parte
A carne que formou meu próprio ser
Apenas por não mais os vivos ver,
Bastardos filhos desta pobre arte?
Ou mesmo em outras vestes encobrir-me
Que não da minha própria estação.
No inverno vivo, e vós, por que, em verão
De aridez sem fim, querem despir-me?
Trocar-me a taça - um copo até maior.
Servir-me água? Antes dai veneno,
Que o amargor mais me será ameno
Do que não conhecer qualquer sabor.
Contenta-te, então, com teu vagar
Por um deserto que sem horizonte
Se vai. Que quero eu com seca fonte
Se muito mais profundo é o meu mar?
(Banhar-se ao sol no despertar da luz
Ou afogar-se à lua e sua cruz,)
Se embebedo-me do mesmo vinho?
Por que desmembrarei em toda a parte
A carne que formou meu próprio ser
Apenas por não mais os vivos ver,
Bastardos filhos desta pobre arte?
Ou mesmo em outras vestes encobrir-me
Que não da minha própria estação.
No inverno vivo, e vós, por que, em verão
De aridez sem fim, querem despir-me?
Trocar-me a taça - um copo até maior.
Servir-me água? Antes dai veneno,
Que o amargor mais me será ameno
Do que não conhecer qualquer sabor.
Contenta-te, então, com teu vagar
Por um deserto que sem horizonte
Se vai. Que quero eu com seca fonte
Se muito mais profundo é o meu mar?
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Ode à Decadência
Bebamos, pois, almas amarguradas,
Bebamos em anseio à decadência,
Mordaz escárnio e maledicência
A todas falsas tradições passadas.
O vinho, essência de visões sagradas,
E o bêbado, adivinho da inconsciência,
São certamente o ecoar da ausência
De conjurações impronunciadas.
Sejamos a correspondência exata
De espíritos de onisciência inata
Que brindam a esta vera falsidade.
Sempre ao fim esta voz é escutada:
Bebabamos! pois não há maior verdade
Que a primordial máxima: o nada.
Bebamos em anseio à decadência,
Mordaz escárnio e maledicência
A todas falsas tradições passadas.
O vinho, essência de visões sagradas,
E o bêbado, adivinho da inconsciência,
São certamente o ecoar da ausência
De conjurações impronunciadas.
Sejamos a correspondência exata
De espíritos de onisciência inata
Que brindam a esta vera falsidade.
Sempre ao fim esta voz é escutada:
Bebabamos! pois não há maior verdade
Que a primordial máxima: o nada.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Rosa Torta
Se a Rosa que tanto se elogia,
De repente, assim sem avisar,
Encontra a brisa forte, mas tardia,
Teria de ser Rosa, ou flor, deixar?
Porque a Rosa torta ainda é Rosa,
E o Amor estranho ainda é amor.
Rosa, torta, é maravilhosa,
Mas Amor morto é sempre dor.
Mesmo quem nega teu cheiro e cor
Quando te vê nos vãos abandonada,
Impuros, jamais esquecerão teu amor,
Mesmo nos tempos da tumba lacrada.
Pois que tem fez, assim a fez, a Rosa.
Deu-te perfume e te fez alegria.
E se arrependerá, quem cuja prosa
Tenta te arrancar a tua poesia.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
She Walks In Beauty - Tradução
Tradução do poema "She Walks in Beauty" do poeta Lord Byron, espero que gostem.
Ela caminha
tão bela
Ela caminha tão bela quanto o anoitecer
De aspecto calmo,
singelo e tão brando
O mais belo, tanto de luz ou escurecer
Faz seus olhos,
seu maior encanto
Tão doce que toda luz vem a esquecer
Céu nega a luz do
dia, tal o espanto
Se a luz vai embora, e a treva que dança
Não te negaria
viver, metade de tua graça
Viva em cada penumbra de cada trança
Ou de tua face
tão doce, vívida feito brasa
Onde teus pensares doces, de mudança
Viventes no
santuário puro, sem ameaça
Eu contemplo tua face, tua feição
Calmo, macio,
ainda eloquente
Sorriso, que brilha em inspiração
Nada além de
doçura se sente
Sonhos de paz, desta cujo coração
É de um amor
sempre inocente
Amor e fim
A Menininha conheceu o Meninão, e pra ele entregou seu
amor.
Seu sorriso era mais rosa, seu perfume era mais cheiroso.
Ele sorria feito um retardado e achava que ego era bom,
Ela se gabava para os anjos que aprendeu a sorrir de
verdade,
Ele mal sabia se estava sorrindo ou se aquilo era um
sonho.
Mal surtia o efeito da manhã e os dois se viam, grudados
E encolhidos em casulos feitos de sonhos e promessas.
Tiveram tanta sorte, tanto poder de saber mudar as coisas
E de rasgar as lágrimas ao meio, nem chegavam ao queixo.
Eram o tempo lúdico iludido, labuta lerda de lamber os
lábios.
Mas sempre há de forjar medo onde há riso, e de tudo
acabar.
Sempre há quem odeie o sorriso e vomite um suspiro, não
é?
Eles sabiam das flechas que iriam levar, por seu amor de
carmim,
Mas não é bem assim, não há jasmim ou serafim, não? Sim.
Mas eles lutaram até a última gota de orvalho em seu
lindo jardim.
Abraçaram seu amor, e nunca largaram.
Mas eles, os maus, não deram nenhuma chance.
E no fim, suas carícias acabaram,
É. Pois ela, nossa vida, não é romance
Assinar:
Postagens (Atom)