quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Lágrimas sob o Por Do Sol


Ela apoiou o rosto no meu, levemente
E me olhou nos olhos, dizendo-me
E explicando-me, calmamente
Os versos de uma canção deprimente.

Toquei sua nuca, o cabelo macio
E sedoso por entre meus dedos,
E a poesia me ardendo profundamente
Nos lábios e no meu peito ardente.

Beijei-a de leve, tudo ia devagar
Como se o tempo, pudesse esperar.
A nossa volta o mundo girava
E nossas bocas, somente dançavam.

Diante de nós o céu laranja, imortal
Figura celeste das nossas imperfeições.
A cidade, amolecida e decrépita gemia
E nossas almas, ignoravam, apenas.

Dias seguiram e o agouro chegou.
No mesmo banco eu de novo choro,
Dessa vez sem rosto de apoio, solitário
Meu choro, sem lábio de cura, sem nada.

O rosto dela que foi embora me chamava,
Gritava por socorro, queria meu abraço.
Mal sabia minha pobre alma desfalecida
Que havia sido enganada pela saudade.

O vento ainda ressoa, mesmo que mudo agora,
E o céu laranja ainda reina, mesmo que pálido,
E as palavras dela ainda vagam minha memória.
“Você está errado, meu amor, eu vou embora”.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Definição, pobre definição



O tesão é um hálito ácido e quente
Que percorre as narinas e coça a garganta,
Descendo pelo peito te queimando os lábios.

Os lábios são muralhas que precisam cair,
Tornar-se úmidos e macios para poder
Subitamente, mas muito quietamente,
Cada tendão vivo se arrepiar.

O arrepio é uma canção, algo rápido
Que nos faz cantar bagunças e repúdios.
É talvez uma pureza áspera, encardida,
De alguém que pede por um contato.
Bem sei, contudo, que é uma canção.

A canção é, antes de tudo, poesia.
Todos cantam quando entregues,
Quando sujos, cansados e suados.
Queremos sangue, queremos gritar,
Enquanto gozamos alegres, e pouco
Ligamos para o que é amor.

O amor é algo oculto.
Oculto como poesia, como arte.
O amor é tudo, somos nós
Na nossa plenitude.
O amor é um hálito ácido e quente
Que percorre as narinas e coça a garganta
Descendo pelo peito te queimando os lábios.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Infortúnio Solitário

"Poema que abre uma obra que comecei nomeada "Saga dos Vermes". Espero que gostem."


A neblina que é solitária adora me visitar,
Mesmo quando estou parado esperando um sol.

As incontáveis vezes que dormi faminto
Ou encharcado de saudades e desejos
Nunca compensaram os dias de companhia.
Não sei bem de quem, algo muito superficial.

A cerveja parece sempre mais quente, o cigarro mais vagabundo,
A grama menos verde, com perdão do clichê horrível.
Shakespeare parece piadas ruins de boteco
E Vivaldi parece rangido de giz no quadro negro
Ou um gato torturado com lâminas mal afiadas.

Ás vezes dá uma vontade de esquecer tudo
De aprender tudo de novo, como a ingênua criança
Que ainda não vê o câncer do mundo.

Todo dia aprendo a mesma coisa, a mesma pauta, a mesma lição
Que esqueço todo dia quando ironicamente esboço um sorriso.
A vontade de construir um reino com as próprias mãos
E a lição de não se erguer um mero tijolo, do mais leve.

Maior inimigo é o espelho, tanto o que mente quanto o que revela.
O gosto de amargo no final da vida é sempre o mesmo.

Sempre acabo indo dormir cedo
Depois que a televisão enjoa de mim.

Já ouvi que uns negaram a melancolia, talvez estejam certos,
Ou estão olhando o espelho errado, como eu
Quando gastei muito tempo enxergando anjos brincando nas campinas.

Para terminar essa putrefação tanto de espírito quanto de arte
Deixe-me, por favor, só essa vez, rimar.
Dessa lama, o nobre e o verme, qualquer um faz parte
E eu como verme, aprendi onde é meu lugar.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Around the tree of Life a lake there lies
Of fearful flames and tender waves of ice
Where in one essence both were intertwined
The sinuous rivers of the Heart and Mind.
The fire can not undo the ice, nor might
It be extinguished, neither can the Night
Embrace all stars with darkness, neither may
The Light all conquer with her charming ray.
For thus is Love's dominion, where the roots
Of Life's tree dwell, for evermore sweet fruits
And flowers breeeding. There, at Beauty's songs
Unheard of Passion fair all Nature throngs;
Along, amidst the eternal ice and fire
Walks hand-in-hand with yours my love's desire.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


A ti que praguejas o meu nome,
Que me desejas dor e fome,
Não te guardo nenhum rancor
Pois não sinto teu mesmo amor.

Mas ainda alto eu enfatizo
Que de mim não terás dor.
Sou forte, não preciso
De bengala ou de senhor.

E você, bicho do imaginar,
Dito “senhor” do infinito,
Se meu dono estás a se declarar
Eu vos declaro meu inimigo.

domingo, 6 de janeiro de 2013

O sentimento de que tua mão luta para alcançar o fim.
E devagar vai morrendo, lentamente padecendo o seu paraíso de carmim.

E o ritmo louco, bombando e badalando o suspiro.
Devagar se aquietando, ameaçando o outrora enfurecido.

Por que não diz com todas as letras o que pretende?
Talvez devesse me ensinar esse jeito de amar, que só um anjo entende.

Não me deixe sozinho na labuta de pensar. Na tortura de uma cabeça, apoiada junto à mesa, da dor a descansar.
Entorpece-me cada mal entendido que plantas, como teu passo me encantas e teus mistérios me põem a pensar.

Tamanha é a ingratidão que tu regas sobre minha cabeça, uma ideia que nem mesmo o mínimo transpareça.

Essa insônia que alimento pensando no que poderia ser. Ajuda a ler as palavras que o céu em trovões tenta me dizer.

E com uma resposta cruelmente confusa, tu me põe a escrever. A criar esta arte fraca, no meu dolorido oficio de sofrer.

Talvez você nunca entenda o poder presente no teu agir, de esclarecer o mais escuro céu ou de fazer qualquer alegria sumir.

Se sou mesmo um pináculo de saberes como tu apresenta, diga logo aquilo que todo poeta sonha,com qual toda dor se isenta.
Mas bem sei que quando ri não é comigo, que quando goza não sou eu teu amante, mas meu verso galopante, não mente nem que eu queira.

No final tu me provas de novo quão cruel é a verdade, quão crua e seca se faz a realidade.

Mesmo chorando por dentro você ri e me espanta teu poder de fingir. Ainda se culpará pelas dores que não evitou, mas verá que a arte que iniciaste já se cessou.

Com o corpo pairante sobre o véu das estrelas tu acordará e a lágrima, no delicado rosto, escorrerá e teu arrependimento tão breve não cessará. Já estará dormente teu poeta admirador e nada restará, para ambos, além de saudade e muita dor.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Conheci-te em um tempo de mudanças,
Onde teu sorriso era mais belo
E tua lágrima mais afiada.
Tu conheceste o amante que revelei
E mesmo apaixonada recusou,
Pois a tua prisão de ilusões era forte,
Até demais para te deixar pensar.
Você amou o quadro que pintei em teus olhos
E se derreteu nos confins que te abalei.
Teu corpo encontrou paz em meus braços,
Teus ouvidos em minha poesia, teu dançar em minha música
E tua boca no imaginar do meu beijo,
Mas tu optou pelo seguro e se deixou perder,
Sufocou teu desejo em beijos podres
E matou o sentimento em abraços falsos
Mas te desafio a matar teu amor.
Nunca poderá sufocar a verdade.
Porque nos confins da tua alma irão residir os versos que não poderá negar,
Mesmo quando viver sobre o amor de outro.
Beijar uma boca bárbara e sem paixão,
Tu saberás que minha boca dominou teus sentidos.
Você irá deitar-se sob outro corpo,
Arranhará outra carne e gritará por outro nome.
Mas minha mão repousará em teu rosto
E saberá que em teus sonhos eu sou teu íntimo da noite.
Você agarrará outros lábios e seus dedos se cruzarão com outros dedos no espaço,
Mas saberá que meu rosto e minha poesia que te farão contar e pintar o quadro do mundo.
E no final teu respirar ira ser mais intenso e minha imagem estará lá, enquanto te entregas aos pesares que te calam.
Enquanto não parar de amar, ouvirá meu nome sussurrando baixinho o teu nome delicado.
E quando finalmente sorrir de volta, o quadro das memórias irá sumir, em um corpo sem forma