quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Em mim



Eu já estive em Paris. Já visitei a Grã Bretanha e conheço toda a Europa. Andei por todo país e vi cada cultura.

Presenciei cada feito, eu vi cada homem em cada momento de grandeza, em cada capítulo de sua estranheza tornar-se mor. O homem de cada religião brilhar no antro da sua fé, o homem de cada nação morrer com a glória junta ao pé.

O homem pobre que braveja a sua dor e o que se vende por menos luta, o burguês cruel e o burguês-nádegas, eu vi todos e os homens que os imortalizaram na sua cruel labuta de sátiro-concordar.

Eu vi cada pedaço de mundo, e vi cada mundo. Vi os mundos inventados, os mundos que mentes geniais ou insanas criaram, vi também os mundos dos romances, contos e poemas.

Estive em todo lugar, em todo mundo, em todo o mundo. Estive no princípio, na mentira e no fim.

Irônico, eu nunca estive mim.

À Costa

És bela, e este momento tão belo é
Que ergue armas contra todo o Universo,
E neste embate em que a vitória do incerto é certa,
As exiladas ondas onde a realidade impera
Rebentam contra a rocha de um amor sentido,
E refugiam-se atordoadas em contradição,
De como pode uma moção tamanha
Ser conquistada incautamente
Pela ilusória praia de uma paixão.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dupla Prosódia


Dedico minha vida inteira,
Sincero, direto e cru,
A encontrar a melhor maneira
De te mandar tomar no cu.

Quem nega a poesia do escarro,
Não vê o verme que está a roer
Suas vísceras, que em versos amarro
E em cima vomito, só pra te ver sofrer.

Do teu lixo o que mais me assusta
É como tua lógica é turva e lerda.
Não enrola e me diz quanto custa
Pra eu poder te mandar a merda.

Se só conhecesse o verso pomposo e de brilho,
Um cego será e a noção não poderá ter,
De que assim como teu pai, teu irmão e teu filho,
O mimo e a merda são parte do teu ser.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Thoughts of a Later Hour

A light that has flickered and failed;
A light conceived as gone;
Lightning the flame of a broken candle
Upon this marbled floor.

Why this upon this hour
When I find myself without
The strength to blow that fire aflame
Or blow that candle out?

I find myself without a name.
I fear
I do not reckon myself here;
I do not find myself as one.

Wreckage cast out from the sea,
Returned ashore,
Who once sailed alone
From this marbled floor.



Loucura


Preso e confinado
Em sua existência engaiolada
A todos finta sério. “é um louco”
-Dizem com a alma desesperada.

O sangue na sua testa,
Sua solidão desenfreada
É sua marca de inquietude
Diante da plateia sempre inflamada.

E insistem na ideia, que é um ser absurdo
No íntimo de sua mente completa e fechada,
Enquanto marca a castigada parede,
Cada marca uma violenta cabeçada.

É a mais cruel e mais absurda
A imagem por todos relatada.
Mal sabem tais moribundos
De sua natureza decretada.

Aquele é somente um homem,
Comum em cada camada.
Pega-te e te tire a loucura,
Não te sobras mais do que nada.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sombra Triste


Há uma sombra triste em cada um de nós
E a tal da tristeza é o que nos sustenta.
Sujos, baixos mesmo quando sem voz,
Sorrir e o riso nos abre uma fenda.

Somos todos uma sombra solitária,
Que se presta, quando num monólogo lento,
A mentir-nos a natureza bestiária,
A convencer: são os outros o desalento.

Nossa carne é suja, podre é a nossa alma.
Santo é o verme que nos rói em silêncio,
Tal que nossa doença não lhe tira a calma.

É da nossa sombra que vem o prenúncio,
Que nos traz a morte quando ergue sua palma,
Àquele que do seu odiar é cônscio.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Mirror on a Mirror

Mirror on a mirror laid,
I am a shadow of it all,
One another's shade
In between compressed,
Reflecting a thought
Of a desire
Of a self
Of myself
In fall.