domingo, 7 de outubro de 2012

A um Poeta Esquecido

Ao teu corpo enterrarem, em teu peito
Tua alma esqueceram: o perverso
Que rói teus ossos rói também teus versos;
O Tempo é o verme que perturba o leito.

Ainda que às estrelas não eleito,
Alegra-te, que à terra, ao ritmo inverso
Da vida, tua alma será berço
De outra alma, e teu verso, em novo feito.

Tal qual os frutos de ramos perdidos
Voltando à terra brotam ramos belos,
O poeta, voltando assim aos velhos

Em seu campo terá versos floridos:
Pois, se com sua pena um livro lavra,
Há de colher, também, novas palavras.

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